E VEIO O RELÓGIO DIGITAL PARA ACABAR COM O TEMPO!

relogio digitalComo bem reparou meu amigo Zé Pedro, quando os japoneses inventaram o relógio digital , acabou-se o encanto do tempo, tudo mudou para ser mais veloz, começou a modernidade. Com o relógio digital, perdeu-se toda a característica tridimensional do tempo, ele ficou mais rápido, acelerou, além de que perdeu o espaço físico, ficou sem volume, sem som. Virou apenas um número raso mudando sem parar, sem mesmo percebermos mais a delícia que era ver o tempo passar, quando se olhava aquele ponteiro maior dos segundos, dando aquela paradinha e depois pulando para o próximo segundo. Percebeu? Passar remete a espaço físico, visão, à materialização do tempo que não se tem quando a representação é um numero que troca e o faz de maneira muito rápida! Com o relógio de “ponteiros” tínhamos o tempo no olhar, o tempo quase parava em cada risco para que nos apercebêssemos de cada segundo, para sentirmos a posse do nosso tempo!

relogio paredeEra praxe, quando os relógios eram mecânicos, que um dos presentes dado aos noivos de alguns anos atrás, fosse um daqueles relógios de parede com pêndulo. Na minha casa também tinha um desses, ele ficava na sala de jantar num lugar destacado, dominando todo o ambiente com aquela caixa de madeira trabalhada e vidros polidos com linhas em relevo. Ali naquela caixa, que mais parecia uma catedral, morava o tempo, ele a todos dominava com o movimento saltitante do ponteiro dos segundos, com o movimento do pêndulo, para lá e para cá sem parar, acompanhado pelo seco tique taque. Sempre presente, nem precisava olhar, o som estava lá, era o tempo que se ouvia passar bem cadenciado e lento. Era assim que eu sentia o tempo, às vezes interminável na espera de poder sair para brincar, ou rápido quando era para contar as horas de ir para as aulas.

E nas horas cheias então? Começava aquele som mecânico da mola armando e depois vinham as badaladas, uma, duas, três … reconfortante aquele “bam” vibrante e afinado. Eu não gostava das meias horas, era só uma badalada, às vezes nem se percebia. Quando o cérebro despertava, pronto já tinha passado. Nas horas não, era marcante, claro menos na uma. Nunca gostei muito da uma hora, meio sem graça, me enganava às vezes, achava que ainda era meio dia e meia e ainda tinha mais meia hora. Nem prestava atenção, a minha preferida era a das 12. Ficava sempre na expectativa de que um hora, ou melhor um 12 horas ele falhasse, se enganasse, estivesse distraído e batesse onze. Mas não, o tempo nunca parava, sempre vinha ele avisando passou mais uma hora da sua vida. No caso, mais meio dia.

Sempre foi enigmática para mim a chave de dar à corda, ela ficavac1df3a1824606e894dce8d6da6743a44chvae_para_dar_corda_em_relAgio_de_parede pendurada dentro do relógio atrás do pêndulo. Olhava minha mãe girando aquela chave para dar corda e ficava imaginando o poder daquele objeto sobre o tempo, sem corda não tinha tempo! A maior glória para mim foi quando eu mesmo fiquei responsável por dar corda no relógio. A primeira vez foi como um rito de passagem, subir na cadeira, abrir a porta com todo o cuidado para não tirar a caixa do prumo e atrasar ou adiantar o tempo, enfiar a chave no buraco e fazer força, forte e firme o suficiente para girar a mola mas com cuidado! Ao escutar o barulho da mola voltar a retesar me tornei o dono do meu tempo, não mais ele me dominava, nos tornarmos parceiros, amigos, dependentes um do outro. O que também provocou aquela sensação de perda de encanto, o tempo dependia de mim para continuar a andar, ele deixou de estar no alto, se tornou bem presente, não mais fora, estava em mim agora o domínio daquele tempo, do meu tempo, não era mais algo distante e impessoal, agora ele, o tempo ficou presente sempre, não mais naquela catedral na parede da sala imponente. Não era mais ele que comandava, passou para mim a responsabilidade do meu tempo, da minha vida! Era agora minha a responsabilidade!

Uauu e ahhh ao mesmo tempo!

Descobri que a vida é o tempo, e o tempo é a vida e ambos têm a mesma medida, o mesmo uso. Um só existe com a concretização do outro. Viver tal como usar o tempo é escolher, fazer opções. Tal qual administrar!

Que opções fazemos e faremos, pessoas ou empresas, será determinante no tempo futuro!

Anúncios
Esse post foi publicado em Gestão e marcado , , , , , , . Guardar link permanente.

Uma resposta para E VEIO O RELÓGIO DIGITAL PARA ACABAR COM O TEMPO!

  1. AUREA disse:

    Incrível o texto, amei! Sou absolutamente fascinada pelo tema TEMPO. Esse Senhor tão bonito, compositor dos nossos destinos.
    <3<3<3

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s