PIADA DE PORTUGUÊS OU NÃO SABE PERGUNTAR?

IMG_2016-01-11_22_20_05Quando estive recentemente em Portugal, sempre me preocupava em tentar voltar a pensar com a lógica direta e bem objetiva como se pensa em Portugal. Isso para não cair no erro de receber uma resposta errada, ou como os brasileiros acham, me deparar com mais uma piada de português. No caso, entender a lógica utilizada na comunicação em Portugal, direta, sem acompanhamentos de gestos e sem segundas interpretações ou frases nas entrelinhas. Também podemos aplicar aqui o caso de que quem começa com a pergunta errada não tem a resposta certa!

Bom mas vamos lá à minha experiência. Tudo estava indo bem no choque cultural e na comunicação, todo mundo me entendendo e me tratando bem, eu com algumas dificuldades em entender os vários sotaques até que minha racionalidade se perdeu e me descuidei.

Tinha acabado de chegar na estação do metro da Amadora e precisava voltar para casa da minha priminha Sónia. Normalmente ia a pé, uns 2 quilômetros e meio, bem fáceis de se fazer. Estava chovendo muito, era tarde, noite já.  Não tinha levado guarda chuva, ventava muito já estava molhado, então precisava pegar o autocarro/ônibus para o bairro onde estava. Minha prima tinha-me dado uma folha com as linhas que passavam na rua. Tinha essa informação em mãos, ou melhor no bolso, mas estava com frio, molhado e com pressa, as condições ideais para tomarmos decisões na base da emoção, normalmente as erradas. Tinha 3 opções de linhas que passavam ou perto ou em frente à casa dela. Corri para uma parada mas estava demorando e cada vez mais molhado com o vento. Voltei para dentro da estação. Fiquei vendo em qual parada teria que ir, mas estava escuro. Entretanto vi que estava chegando um autocarro/ônibus numa parada pensei Deus queira que seja o certo e lá fui correndo para lá. Esperei na cobertura minha a vez e antes de entrar, perguntei ao motorista, “Passa no Casal de São Brás?”, sim me respondeu ele. Não fiquei muito confiante, pela resposta seca nem por esta linha não ser daquelas que a minha prima tinha me dado mas, ufaaa entrei, paguei e fui para dentro. Logo depois chegou uma senhora e fez a mesma pergunta que eu tinha feito a resposta foi a mesma que eu tinha recebido. Pensei, vou grudar nessa mulher para não me perder. Você sabe ônibus cheio em dia de chuva e de noite é igual em qualquer lugar do mundo. Ambiente carregado, vidros embaçados aquele calor humano artificial e você com roupas de inverno. Eu tentando verificar que caminho o ônibus estava tomando nas janelas embaçadas e de olho na reação da senhora sentada atrás do motorista. Lá não tem mais cobrador nos transportes públicos.

De repente percebi que o ônibus tinha tomado uma direção para os bairros e se afastava do centro da cidade. Olhei para fora, tentei me localizar por entre os passageiros e coincidência, a senhora também estranhou. Vi que ela estava perguntando alguma coisa ao motorista mas não consegui escutar direito, só escutei ele dizer “Você não fez a pergunta certa, tem que saber perguntar!” mas não me liguei muito estava tomado pela emoção e como estava me afastando do centro me precipitei toquei para sair. E sai. Fiquei furioso comigo e com o motorista e fui correndo para casa tentando me abrigar da chuva nas marquises e toldos das lojas e edifícios. Fui pensando porque o motorista tinha respondido aquilo para a senhora e porque ela tinha ficado no ônibus. Depois que cheguei em casa é que fui olhar as linhas e percebi que o ônibus, quando perguntei ao motorista tinha acabado de passar pelo Casal de São Braz e estava indo dar a volta pelo bairro e depois, antes de chegar ao ponto final, a Estação do Metro, passaria de novo onde eu queria descer. A resposta do motorista estava certa, o ônibus passava sim, mas eu e talvez a senhora tínhamos tirado conclusões erradas porque estávamos sem a informação completa, não tínhamos feito as perguntas da forma certa. Com a razão perturbada pelo incomodo da chuva, vento e frio a emoção tomou o controle e a decisão de sair do ônibus foi errada, em vez de me irritar com o motorista que tinha sido grosso com a senhora, até reclamei disso alto, deveria buscar mais informações.

Quando estamos iniciando um novo negócio, a das características empreendedoras mais importante é “BUSCA DE INFORMAÇÕES”. Importantíssimo saber que informações buscar e que tipo de pesquisa fazer para ter as informações necessárias na fase de tornar uma oportunidade a ideia de um negócio viável. É necessário portanto saber fazer as perguntas certas para não ter informações incorretas, desnecessárias ou distorcidas pela emoção e desejo de que o negócio dê certo. Um dos comportamentos que demonstram ter a característica empreendedora da busca de informações é solicitar a orientação de um especialista para obter assessoria técnica ou comercial.

Quem começa com a pergunta errada não tem a resposta certa!

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